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Nos textos anteriores, escrevi sobre espécies de lagartos comuns, aquelas facilmente encontradas nos ambientes onde vivem devido a sua relativamente alta abundância e/ou frequência. Já nesta postagem, apresento aos leitores do herpeto.org um lagartinho de ecologia pouco conhecida, mas não por isso menos interessante.

A espécie em questão pertence ao gênero Placosoma, um grupo de pequenos lagartos gimnoftalmídeos endêmicos do Brasil. Atualmente, este gênero é composto por três espécies: Placosoma cordylinum Fitzinger, 1847 (espécie-tipo do gênero – Tschudi,  1847); Placosoma cipoense Cunha, 1966 (espécie “em perigo” de extinção – MMA, 2014); e Placosoma glabellum Peters, 1870 (espécie alvo deste texto).

Figura 1_Placosoma_glabellum_DanielPassosFigura 1. Aspecto geral de um Placosoma glabellum.

Placosoma glabellum tem registros de ocorrência espalhados por vários remanescentes de Mata Atlântica do leste do Brasil (Vrcibradic et al., 2011; Souza et al., 2012; Hamdan et al., 2013; Oliveira & Oliveira, 2014). Geralmente é tido como raro nos locais onde ocorre, com baixa taxa de encontro na maioria dos estudos. Contudo, a espécie também já foi considerada relativamente frequente em algumas áreas, como em São Paulo (Forlani et al., 2010) e Minas Gerais (Souza et al., 2012).

De fato, temos poucos dados disponíveis sobre a história natural de Placosoma glabellum. Inclusive, várias informações sobre a espécie são oriundas de observações indiretas, quando se encontram indivíduos consumidos por serpentes simpátricas (Sazima & Argolo, 1994; Prudente et al., 1998; Hartmann et al., 2009). Ao que se sabe, este lagarto é primariamente diurno e terrícola, estando geralmente associado ao folhiço. Entretanto, diferente da maioria dos gimnoftalmídeos, esta espécie também parece fazer uso de substratos verticais, já tendo sido observado sobre a vegetação (Marques & Sazima, 2004). Quanto à reprodução, sabe-se que esta espécie é ovípara, produzindo pequenas ninhadas que são depositadas na serrapilheira (Sawaya et al., 1999).

Figura 2_Placosoma_glabellum_DanielPassosFigura 2. Fêmea adulta de Placosoma glabellum.

Em suma, conhecemos muito pouco sobre o gênero Placosoma, o que, por si só, já é um incentivo para estudar melhor esse grupo. Além disso, as lacunas de conhecimento não se restringem à história natural e novidades taxonômicas no grupo parecem ser iminentes. Portanto, simbora calangar!!!

  • +Referências Bibliográficas

    Referências Bibliográficas

    Forlani, M. C.; Bernardo, P. H., Haddad, C. B. F. & Zaher, H. 2010. Herpetofauna of the Carlos Botelho State Park, São Paulo State, Brazil. Biota Neotropica, 10: 265-309.

    Hamdan, B.; Coelho, D. P.; DAngionella, A. B.; Dias, E. J. R. & Lira-da-Silva, R. M. 2013. The reptile collection of the Museu de Zoologia, Universidade Federal da Bahia, Brazil. Check List, 9: 257-262.

    Hartmann, P. A.; Hartmann, M . T. & Martins, M. 2009. Ecologia e história natural de uma taxocenose de serpentes no Núcleo Santa Virgínia do Parque Estadual da Serra do Mar, no sudeste do Brasil. Biota Neotropica, 9: 174-184.

    Marques, O. A. V. & Sazima, I. 2004. História Natural dos répteis da Estação Ecológica Juréia-Itatins. In: Estação Ecológica Juréia-Itatins. Ambiente físico, flora e fauna. Marques, O.A.V. & Duleba, W. (Eds). Ribeirão Preto: Holos Editora. p. 257-277.

    MMA, 2014. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – Lista de Espécies Ameaçadas. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/6644-especie-6644.html.

    Oliveira, A. K. C. & Oliveira, I. S. 2014. Reptiles (Squamata) in Atlantic forest in Southern Brazil. Biharean Biologist, 8: 32-37.

    Prudente, A. L. C.; Moura-Leite, J. C. & Morato, S. A. A. 1998. Alimentação das espécies de Siphlophis Fitzinger (Serpentes, Colubridae, Xenodontinae, Pseudoboini). Revista Brasileira de Zoologia, 15: 375-383.

    Sawaya, R. J.; Vasconcelos, C. H. F. & Nunes, R. Placosoma glabellum (NCN). Reproduction. Herpetological Review, 30: 167.

    Sazima, I. & Argolo, A. J. S. 1994. Natural history notes: Siphlophis pulcher (NCN). Prey. Herpetological Review, 25: 126.

    Sousa, B. M.; Gomides, S. C.; Hudson, A. A.; Ribeiro, L. B. & Novelli, I. I. Reptiles of the municipality of Juiz de Fora, Minas Gerais state, Brazil. Biota Neotropica, 12: 35-49.

    Tschudi, J. J. 1847. Die Familie der Ecpleopoda. Archiv Für Naturgeschichte, 13 (1): 41-60.

    Vrcibradic, D.; Rocha, C. F. D.; Kiefer, M. C.; Hatano, F. H.; Fontes, A.F.; Almeida-Gomes, M.; Siqueira, C. C.; Pontes, J. A. L.; Borges-Junior, C. N. T.; Gil, L. O.; Klaion, T.; Rubião, E. C. N. & VanSluys, M. 2011. Herpetofauna, Estação Ecológica Estadual do Paraíso, state of Rio de Janeiro, southeastern Brazil. Check List, 7: 745-749.

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Daniel Passos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e mestre e doutorando em Ecologia e Evolução pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Comentários

2 Comentários

  1. André Confetti

    Realmente uma espécie linda, e pensar que igual essa existam inúmeras espécies pouco estudadas no país ou até mesmo por serem descobertas, fantástico mesmo 🙂

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    • Daniel Passos

      É isso aí André! O que descobrir a gente tem muito, o que falta na maioria das vezes são as condições para fazer pesquisa.

      Responder

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