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Caros leitores do herpeto.org, chegou a hora de conhecermos um novo grupo de lagartos, os “Calangos Lisos”(mais conhecidos na bibliografia internacional como mabuyid skinks). Especificamente, apresento-lhes um dos skinks neotropicais mais comuns da Amazônia, o Copeoglossum nigropuctatum (Spix, 1825). Apresentando ampla distribuição na América do Sul, esta espécie habita não só a floresta amazônica, ocorrendo também em florestas de altitude no Nordeste brasileiro (Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003), bem como em florestas de galeria no Centro-Oeste do país (Avila-Pires, 1995).

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Figura 1. Aspecto geral de um Copeoglossum nigropuctatum.

Copeoglossum (previamente Mabuya) nigropuctatum (Figura 1) é um lagarto de pequeno porte, que pode alcançar apenas cerca de 10 cm de comprimento rostro-cloacal (Avila-Pires, 1995). Contudo, esta espécie pode ser considerada relativamente grande quando comparada a outros “Calangos Lisos” (Hedges & Conn, 2012). Este lagarto é considerado heliotérmico, geralmente sendo encontrado exposto ao sol em bordas de mata, margens de rios ou clareiras no interior da floresta, durante as horas mais quentes do dia (Vitt et al., 1997). Embora usualmente seja visto em substratos próximos ao solo, como galhos ou troncos caídos (Figura 2), Hoogmoed e Avila-Pires observaram um individuo acima dos 30 m de altitude, evidenciando que esta espécie também pode fazer uso do dossel da floresta (ver detalhes em Avila-Pires, 1995). Suas presas incluem vários grupos de invertebrados, mas cupins, besouros e aranhas estão entre os tipos de presas mais importantes na sua dieta (Vitt et al., 1997). Além disso, o consumo de outros lagartos simpátricos, como Cercosaura e Gonatodes, também já foi registrado, evidenciando a saurofagia por C. nigropuctatum (Vitt & Blackburn, 1991). Esta espéciese reproduz por viviparidade e apresenta um complexo sistema de placentação, produzindo de 2 a 9 filhotes por ninhada (Vitt & Blackburn, 1991). Seu período reprodutivo é curto sazonal e apresenta um longo período de gestação, que dura de 9 a 12 meses (Vitt & Blackburn, 1991).

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Figura 2. Copeoglossum nigropuctatum sobre um tronco caído.

De maneira geral, as espécies de “Calangos Lisos” neotropicais são bastante semelhantes entre si, apresentando um plano corporal bem típico (Figura 1). Por um lado, isto permite um relativamente fácil reconhecimento do grupo, mesmo por leigos. Em contrapartida, este também é um dos motivos pelos quais a diferenciação entre as espécies é difícil, existindo diversos complexos de espécies crípticas que justificam as constantes revisões taxonômicas do grupo (ver detalhes em Hedges & Conn, 2012). Por todo o exposto, ainda há muito a se descobrir sobre os “Calangos Lisos”, não apenas em relação a sua diversidade, mas também no que diz respeito a sua ecologia e história natural. Portanto, simbora calangar!!!

  • +Referências Bibliográficas

     

    Ávila-Pires, T. C. S., 1995. Lizards of Brazilian Amazonia (Reptilia: Squamata). Zoologische Verhandenlingen, 299:1-706.

    Borges-Nojosa, D. M. & Caramaschi, U. 2003. Composição e análise comparativa da diversidade e das afinidades biogeográficas dos lagartos e anfisbenídeos (Squamata) dos brejos nordestinos. In: Leal, I.; Silva, J.M.C.; Tabarelli, M. (Org). Ecologia e conservação da Caatinga.1ª ed. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, Vol 1, Cap.11, p. 489-540.

    Hedges, S. B. & Conn, C. E. 2012. A new skink fauna from Caribbean islands (Squamata, Mabuyidae, Mabuyinae). Zootaxa, 3288:1-244.

    Vitt, L. J., Zani, P. A. & Lima, A. C. M. 1997. Heliotherms in tropical rain forest: the ecology of Kentropyx calcarata (Teiidae) and Mabuya nigropunctata (Scincidae) in the Curuá­-Una of Brazil. Journal of Tropical Ecology, 13:199-220.

    Vitt, L. J. & Blackburn, D. G.1991. Ecology and life history of the viviparous lizard Mabuya bistriata (Scincidae) in the Brazilian Amazon. Copeia,1991:916-927.

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Daniel Passos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e mestre e doutorando em Ecologia e Evolução pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Comentários

2 Comentários

    • Daniel Passos

      Caro Vagner,

      Como citei no texto, esta espécie era considerada pertencente ao gênero Mabuya até 2012.
      Com a revisão de Hedges & Conn (2012), eles foram locados no gênero Copeoglossum.

      Obrigado pela sua participação no herpeto.org.

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